Especialistas alertam sobre ameaça de disseminação global de novo viroide da maconha
Viroide Latente do Lúpulo (HPLVD) e a Ameaça Global
O perigoso e infeccioso viroide latente do lúpulo (HPLVD) é considerado uma ameaça de disseminação global de novo viroide da maconha. Desde sua descoberta em 2018, ele vem sendo monitorado por muitos produtores, espalhou-se pela América do Norte e agora ameaça sair do controle, podendo causar bilhões de dólares em perdas na indústria, alertam os especialistas.
Impacto e Preocupações
Pesquisadores classificam o viroide como a maior preocupação para os produtores de maconha e lúpulo em todo o mundo. “É uma crise total”, disse Av Singh, consultor canadense em cultivo de maconha e diretor científico da Green Gorilla, uma fabricante e varejista online de óleos de CBD derivados de cânhamo, produtos tópicos e para animais de estimação com sede em Malibu, Califórnia. “Acho que não estamos reconhecendo o quão grande é essa crise”.
Pequeno e Furtivo: O Viroide Latente do Lúpulo
Os especialistas alertaram que o viroide é furtivo. Ele também é muito pequeno, assintomático e aguarda uma oportunidade para infectar uma planta. A forma provável de transmissão é por meio das ferramentas de poda utilizadas para a propagação vegetativa e enxertia, ou pelas mãos humanas.
Propagação e Sistemas de Cultivo
Quando o viroide ataca, o patógeno vegetal se move rapidamente das raízes para as folhas e flores em duas a três semanas. Ele é mais problemático em sistemas hidropônicos — em vez de cultivos ao ar livre — porque o viroide pode se mover através da água e infectar mais facilmente raízes que tendem a se emaranhar.
Efeitos na Planta
O viroide latente do lúpulo não mata a planta imediatamente. No entanto, uma planta infectada pode apresentar crescimento prejudicado: ela fica mais baixa e os tricomas se tornam subdesenvolvidos ou atrofiados. O resultado pode ser uma redução nos níveis de THC e CBD, que podem cair até 40%. É como se a planta simplesmente não tivesse energia para investir nesses tricomas, sendo especialmente perceptível durante a floração.
Período Crítico e Testes
Pesquisadores sugerem que a fase de floração é quando o viroide pode se tornar mais virulento, possivelmente devido ao estresse sofrido pela planta hidropônica durante a mudança de iluminação (12 horas ligada / 12 horas desligada). Como precaução, os produtores devem testar suas plantas, incluindo as raízes. No entanto, não há garantias, pois um único teste pode não ser suficiente. Observações indicam que o primeiro teste pode ser negativo, três semanas dep
Onde se Encontra o Viroide Latente do Lúpulo (HpLVd)
Acredita-se que o viroide esteja presente no solo dos cultivos, na água de sistemas hidropônicos e, definitivamente, nas raízes. Além disso, o patógeno pode estar nas sementes (não apenas na superfície) e se espalhar pelo manuseio das plantas — movendo-as, empilhando-as ou pendurando-as.
Transmissão
O viroide pode ser transferido de uma planta infectada para outra apenas por contato. Insetos sugadores de seiva podem criar um caminho para a infecção, mas não transportam o viroide ativamente de uma planta para outra. Ele também pode ser transmitido pelo ar e provavelmente está presente na maioria das instalações comerciais de cannabis nos Estados Unidos e Canadá.
Frequência e Impacto Econômico
A frequência de plantas infectadas é estimada entre 25% e 50% nos EUA e Canadá. Testes realizados pela Dark Heart Nursery, envolvendo 100 produtores da Califórnia entre agosto de 2018 e julho de 2021, revelaram que um terço das plantas em 90% desses cultivos estavam infectadas. Isso indica que mais de 30% de todas as plantas de cannabis nos EUA são afetadas pelo viroide, gerando perdas anuais estimadas em mais de US$ 4 bilhões.
Identificação Inicial
O viroide foi identificado pela primeira vez na Glass House Farms, com 5,5 milhões de pés quadrados de estufas de cannabis no condado de Ventura, Califórnia. Cultivadores notaram crescimento atrofiado e deficiência na produção de terpenos e canabinoides. Segundo o presidente da empresa, "Se você tem seis plantas e uma delas está estranha, você pensa que é a planta, mas quando você tem 10.000 plantas, de repente 10% ou 20% não estão produzindo como deveriam."
Confirmação Laboratorial
Uma amostra de RNA de uma planta infectada foi examinada e sequenciada em laboratório, confirmando o genoma do viroide. Especialistas afirmam: "Eu ficaria surpreso se o viroide fosse algo que desaparecesse. Acho que provavelmente é algo com o qual vamos ter que conviver."
Como Combater o Viroide Latente do Lúpulo (HpLVd)
Existem várias iniciativas e tecnologias sendo desenvolvidas para combater o viroide, oferecendo esperança para produtores de cannabis e lúpulo:
Testes Genéticos e Limpeza de Plantas
A Dark Heart desenvolveu um teste genético capaz de diferenciar plantas infectadas de não infectadas. Além disso, criou um processo de limpeza patenteado que eliminou o viroide em 31 variedades de plantas infectadas.
Em 2021, a Front Range Biosciences introduziu um método de limpeza usando cultura de tecidos. Já em março de 2023, a francesa Biomerieux desenvolveu um kit de diagnóstico para detectar a presença do viroide, reforçando a importância de boas práticas de biossegurança e testes regulares.
Engenharia Genética e Melhoramento de Plantas
Pesquisadores estão explorando engenharia genética CRISPR e seleção de variedades resistentes como estratégias para combater o HpLVd. Um estudo publicado em março de 2023 no jornal Frontiers in Plant Science indicou que o viroide pode ser transmitido verticalmente pelas sementes, reforçando a necessidade de escolher variedades resistentes.
Sistemas de Cultivo de Tecidos
Outra abordagem eficaz é o uso de cultivo de tecidos, onde plantas “limpas” podem ser propagadas sem o viroide, garantindo que novas gerações permaneçam saudáveis e livres da infecção.
Perspectiva
Embora o HpLVd seja um patógeno persistente e resistente, a combinação de testes genéticos, técnicas de limpeza, melhoramento genético e cultura de tecidos oferece caminhos promissores para conter sua disseminação e proteger a indústria global de cannabis e lúpulo.
Texto: Alex Chagas
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